Península: condomínio de luxo da Barra vira endereço recorrente de operações policiais contra corrupção

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Projetado para ser um refúgio de luxo na Barra da Tijuca, o Península acabou ganhando notoriedade por outro motivo nos últimos anos. O empreendimento, lançado em 2002 pela Carvalho Hosken às margens da Lagoa de Jacarepaguá, tornou-se endereço de diversos políticos, empresários e executivos que estiveram na mira de investigações e operações policiais.
Com dezenas de edifícios residenciais e comerciais, áreas verdes, obras de arte a céu aberto e uma infraestrutura que inclui transporte próprio, centros comerciais, escolas, supermercados e serviços, o complexo abriga milhares de moradores. Considerado um dos endereços mais valorizados da cidade, o local reúne imóveis de diferentes perfis, desde apartamentos de médio porte até coberturas milionárias.

A relação do Península com grandes investigações começou a ganhar destaque nacional em 2014, quando a Operação Lava Jato chegou ao condomínio. Na época, policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão em salas comerciais utilizadas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, um dos principais delatores do esquema de corrupção investigado pela operação.
Nos anos seguintes, outros moradores do empreendimento passaram a ser alvo de ações policiais. Em 2019, uma gerente bancária foi presa em um dos edifícios do complexo durante uma fase da Lava Jato no Rio de Janeiro. Segundo o Ministério Público Federal, ela teria participado de um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou quase R$ 1 bilhão.
O ano de 2020 marcou uma sequência de operações que colocaram o condomínio ainda mais em evidência. Em maio, o empresário Fábio Dutra de Souza foi preso durante a Operação Party is Over. Já em setembro, agentes da Polícia Civil e do Ministério Público estiveram no local para cumprir mandado de prisão contra o então secretário estadual de Educação, Pedro Fernandes, investigado por supostos desvios de recursos públicos.

Na mesma época, o condomínio recebeu equipes de investigação em imóveis ligados ao então prefeito do Rio, Marcelo Crivella, ao ex-presidente da Riotur Marcelo Alves e ao empresário Rafael Alves. Meses depois, Crivella e Rafael Alves seriam presos em uma operação que investigava crimes como corrupção e lavagem de dinheiro. De acordo com os investigadores, parte das tratativas entre os envolvidos aconteceria durante caminhadas pelas áreas internas do condomínio.
Ainda em 2020, o então vice-governador Cláudio Castro também foi alvo de busca e apreensão em um apartamento no Península durante uma investigação sobre supostos desvios de recursos destinados ao combate à Covid-19. Na ocasião, ele era citado em apurações que investigavam um grupo suspeito de desviar e lavar dinheiro durante a pandemia.
Outras investigações relacionadas ao período também tiveram conexões com moradores do empreendimento. Entre elas estava a Operação Falso Negativo, que apurava suposto superfaturamento na compra de testes para Covid-19.

Em maio de 2026, a Polícia Federal realizou duas operações envolvendo o ex-governador Cláudio Castro. Na primeira, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em um apartamento do edifício Atmosfera, em uma investigação sobre supostas fraudes fiscais relacionadas à Refinaria de Manguinhos (Refit). Celulares e equipamentos eletrônicos foram apreendidos.
Em junho deste ano, menos de duas semanas depois, uma nova operação levou policiais ao mesmo condomínio. Desta vez, as investigações estavam relacionadas aos aportes realizados pelo Rioprevidência no Banco Master. A Polícia Federal apura possíveis irregularidades nas operações financeiras e eventuais favorecimentos envolvendo integrantes da antiga administração estadual. Os agentes estiveram na cobertura, adquirida por Castro em 2023, e que, segundo as apurações, estaria vinculada a uma empresa ligada a um ex-integrante de seu governo.
A sucessão de operações ao longo da última década transformou o Península em um endereço frequentemente associado a investigações de grande repercussão. Embora continue sendo um dos empreendimentos mais valorizados da cidade, o condomínio também passou a fazer parte do mapa de algumas das principais ações policiais e de combate à corrupção realizadas no estado do Rio de Janeiro.











