8 de janeiro de 2026

Estudo da UFF revela que 60% da costa do estado do Rio está vulnerável às mudanças climáticas

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A adoção de soluções naturais, como a restauração de ecossistemas e a ampliação de áreas protegidas, podem ser eficazes para enfrentar os impactos climáticos 


Um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF) aponta que aproximadamente 60% da costa do estado do Rio de Janeiro apresenta níveis intermediários ou altos de vulnerabilidade às mudanças climáticas, o que aumenta o risco de erosão e inundações. A pesquisa é conduzida pelo doutorando Igor Henud, orientada pelo professor Abílio Soares, e considera impactos já observados no litoral fluminense, como ressacas mais frequentes, tempestades intensas e a elevação do nível do mar. 


Com cerca de 1.160 quilômetros de extensão, a zona costeira do estado abriga 33 municípios e concentra aproximadamente 83% da população fluminense. De acordo com o estudo, essa faixa do território sofre forte pressão da urbanização desordenada, do turismo de massa e da expansão de infraestruturas logísticas, fatores que aceleram a degradação ambiental e reduzem a capacidade natural de proteção da linha de costa. 


A pesquisa considerou fatores socioeconômicos na análise de risco e constatou que o Rio está entre os estados mais densamente povoados do país e tem sua economia fortemente vinculada ao mar, com atividades como pesca e exploração de petróleo. Nesse contexto, a supressão da Mata Atlântica, bioma que já perdeu mais de 80% de sua cobertura original, compromete a resiliência ambiental e amplia a exposição a eventos extremos.


Os cenários mais críticos concentram-se nas regiões do Norte Fluminense e das Baixadas Litorâneas, onde características naturais como ventos, ondas e relevo se somam à fragmentação de habitats costeiros. A análise utilizou o modelo de vulnerabilidade costeira do programa InVEST e demonstrou que a remoção de ecossistemas como restingas e manguezais amplia significativamente as áreas classificadas como de alto risco. 


Publicado em artigo científico internacional, o estudo destaca a adoção de soluções baseadas na natureza, como a restauração de ecossistemas e a ampliação de áreas protegidas, podem ser estratégias eficazes e sustentáveis para enfrentar os impactos das mudanças climáticas, fortalecer a resiliência costeira e proteger populações e atividades econômicas dependentes do litoral.

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